Puglia é a Itália que os italianos guardaram para si. No calcanhar da bota, a região alterna cidades brancas empoleiradas sobre o mar, casas de pedra com telhados cônicos que não existem em nenhum outro lugar do mundo, oliveiras centenárias e uma costa de água transparente que se estende por centenas de quilômetros. O turismo chegou tarde por ali — e isso preservou o ritmo, os preços e, sobretudo, a autenticidade.
A vida gira em torno da mesa e do campo. As masserie, antigas fazendas fortificadas convertidas em hospedagem, oferecem colheita de azeitona, produção de azeite e queijo fresco feito na hora. Nas trattorias de família, a orecchiette é aberta à mão na porta de casa, e a burrata, a focaccia barese e os frutos do mar do Adriático completam uma das cozinhas mais generosas da Itália, regada a Primitivo di Manduria e Negroamaro.
Bari, a capital, é a porta de entrada: a Bari Vecchia guarda ruas estreitas, a Basílica de São Nicolau e a cena das senhoras abrindo massa fresca na calçada — a imagem mais compartilhada da região. Descendo a costa, Polignano a Mare se debruça sobre penhascos e guarda a enseada de Lama Monachile, cercada de rocha, e Monopoli esconde pequenas calas menos disputadas. Mais ao norte, Trani entrega uma catedral construída praticamente sobre o mar, em clima bem mais tranquilo.
No interior, Alberobello concentra os trulli — as casas de pedra com telhado cônico reconhecidas pela UNESCO —, e o bairro Rione Monti é o mais preservado. Ostuni, a Cidade Branca, é o melhor ponto de equilíbrio da região: caiada do topo à base, com vista para o mar e acesso fácil tanto à costa quanto ao interior. Em Grottaglie, as oficinas de cerâmica mantêm viva uma tradição secular.
Ao sul, Lecce é chamada de Florença do Sul pelo barroco de pedra dourada: a Basílica de Santa Croce, o anfiteatro romano e a Piazza Sant’Oronzo concentram a vida da cidade. Dali se alcançam Gallipoli, de centro histórico murado e praias cristalinas, Otranto, Punta Prosciutto e as termas de Santa Cesarea. Vale também o desvio até Matera, já na Basilicata, com seus Sassi escavados na rocha — Patrimônio Mundial da UNESCO.
A gastronomia é programa por si só: fazer orecchiette com cozinheiras locais, degustar azeite direto do produtor, participar da colheita, provar Primitivo e Negroamaro nas vinícolas do Salento e da Valle d’Itria. No verão, as sagre — festas gastronômicas de vilarejo — e festivais como o Locus e a Notte della Taranta movimentam a região
O Borgo Egnazia não se parece com um hotel porque não foi construído como um. A propriedade reinterpreta a arquitetura de um vilarejo tradicional da Puglia, com muros em pedra tufo clara, praças, becos e casas — e se organiza em três núcleos: Il Borgo, o vilarejo central; La Corte, os pátios internos; e Le Ville, as casas independentes, para além das muralhas, com piscina privativa e terraços panorâmicos.



No interior do Salento, entre oliveiras centenárias e o mar, a Masseria Muzza é uma fazenda fortificada histórica convertida em resort pela Baglioni. A proposta é a da Puglia autêntica: o ritmo do campo, a cozinha salentina e a arquitetura original da masseria preservada. As suítes e quartos combinam refinamento e rusticidade — as Deluxe Suites trazem chuveiro de hidromassagem, banheiro com cromoterapia e pátio privativo. A gastronomia celebra a cozinha do Salento, e o La Limonaia Bar cuida dos aperitivos entre os limoeiros


Instalado em um palacete do século XIX entre duas praças do centro histórico de Lecce, o Tivoli Palazzo 1880 é o endereço urbano do roteiro na Puglia. A localização coloca o Duomo, a Basílica de Santa Croce e o anfiteatro romano a distância de caminhada — o barroco de pedra dourada que rendeu à cidade o apelido de Florença do Sul.


