Japão

DESCUBRA O JAPÃO, UM PAÍS ONDE A TRADIÇÃO MILENAR SE HARMONIZA COM A INOVAÇÃO FUTURISTA.

O Japão é o destino que consegue ser radicalmente antigo e radicalmente novo ao mesmo tempo — muitas vezes no mesmo quarteirão. Um templo de mil anos convive com uma instalação de arte digital; o ritual do chá acontece a metros de uma estação por onde passam milhões de pessoas por dia; e a mesma cultura que refinou o silêncio dos jardins zen transformou uma ilha de pescadores em um dos maiores destinos de arte contemporânea do mundo.

A geografia colabora com a diversidade. O arquipélago se estende por milhares de quilômetros, do inverno de Hokkaido às praias tropicais de Okinawa, passando pelos Alpes japoneses, pelas fontes termais e pelas ilhas do Mar Interior de Seto. E as estações comandam a viagem: as cerejeiras da primavera e a folhagem vermelha do outono não são detalhes, são eventos nacionais que reorganizam o calendário do país.

Há ainda a mesa, que por si só justificaria a viagem — Tóquio concentra mais restaurantes estrelados do que qualquer outra cidade do mundo — e uma cena de arte e arquitetura que vai do teamLab, em Tóquio, aos museus de Tadao Ando em Naoshima.

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ATRAÇÕES CLASSICAS

Tóquio é o ponto de partida natural. A cidade se descobre por camadas: os observatórios que revelam a extensão da metrópole, o bairro de Akihabara e a cultura pop, os templos que resistem entre arranha-céus e uma cena gastronômica sem paralelo. A parada contemporânea obrigatória é o teamLab, cujas salas de arte digital imersiva reagem ao movimento de quem entra — com unidades em Azabudai Hills e em Toyosu, esta última percorrida descalço, com água pelos tornozelos.

Kyoto entrega o Japão tradicional: templos, santuários e jardins que se visitam melhor vestindo um quimono alugado, prática comum entre os próprios japoneses nos passeios a Kiyomizu-dera e aos milhares de portais vermelhos de Fushimi Inari. Perto dali, Nara guarda o grande Buda e os cervos que circulam livremente pelo parque, e Osaka é a capital da comida de rua. Mais ao norte, Kanazawa e Takayama preservam bairros de samurais e casas de madeira, e os Alpes Japoneses abrem o país rural.

No Mar Interior de Seto, Naoshima é o capítulo mais surpreendente da viagem. Uma ilha de pescadores em declínio foi transformada, a partir dos anos 1990, em destino de arte contemporânea de alcance mundial — o projeto Benesse Art Site, que se estende também a Teshima e Inujima. A arquitetura é de Tadao Ando, que enterrou os museus na paisagem para não competir com ela: no Chichu Art Museum, as salas de Monet, James Turrell e Walter De Maria funcionam apenas com luz natural, mudando a cada hora do dia. Na vila de Honmura, o Art House Project converteu casas abandonadas em instalações permanentes, e no píer a abóbora amarela de Yayoi Kusama virou o símbolo da ilha. Quem se hospeda no Benesse House, que é museu e hotel ao mesmo tempo, circula pelo acervo depois do fechamento ao público.

A natureza tem seu próprio calendário. O Monte Fuji, com 3.776 metros, se vê melhor refletido nos lagos de Kawaguchiko. O hanami, a contemplação das cerejeiras, acontece no início de abril; o momiji, a folhagem vermelha dos bordos, de meados de outubro a dezembro. No inverno, o Parque dos Macacos da Neve, em Jigokudani, mostra os macacos japoneses de banho nas fontes termais, cercados de neve. E as termas de Hakone, Beppu, Yufuin e da península de Izu sustentam a cultura do onsen o ano inteiro.

Okinawa é quase outro país. O arquipélago subtropical, ao sul, tem cultura, culinária e clima próprios — e as melhores águas do Japão. No Parque Nacional Kerama, dá para nadar com tartarugas marinhas a partir da praia, sem barco. Em Ishigaki, as arraias-manta são residentes o ano inteiro, com melhor visibilidade entre abril e outubro. Em Yonaguni, o mergulho passa pelo enigmático monumento submerso, e de janeiro a março aparecem os tubarões-martelo. E a praia de Yonaha Maehama, na ilha de Miyako, é considerada a mais bonita do país.

Hotéis

Benesse House

Aberto em 1992, o Benesse House foi a primeira peça do projeto que transformaria Naoshima em destino de arte — e segue sendo o único hotel do mundo concebido, desde a origem, como museu e hospedagem ao mesmo tempo. A arquitetura é de Tadao Ando, e as obras de arte contemporânea estão em toda parte: nos corredores, nos jardins, no caminho até a praia e dentro dos próprios quartos. A hospedagem se distribui em quatro edifícios distintos, cada um com arquitetura e caráter próprios, espalhados pela encosta e pela orla da ilha. O privilégio dos hóspedes é o acesso: enquanto os visitantes do dia seguem horários rígidos, quem se hospeda pode contemplar as obras pelo tempo que quiser, inclusive depois do fechamento ao público — o museu praticamente vazio, ao anoitecer.

Mandarim Oriental de Tokyo

O Mandarin Oriental ocupa os andares superiores da Nihonbashi Mitsui Tower, no distrito de Nihonbashi — o coração histórico e comercial de Tóquio, a poucos minutos da Estação de Tóquio. Das alturas, a vista alcança a cidade inteira e, nos dias claros, o Monte Fuji. O hotel se apresenta como um destino gastronômico, e os números explicam: são 13 restaurantes e bares. Entre eles, o Signature, de alta cozinha francesa, o Sense, cantonês, o Sushi Shin by Miyakawa, o italiano K'shiki, o Tapas Molecular Bar, a Pizza Bar on 38th — um balcão com pouquíssimos lugares que virou objeto de disputa — e o Mandarin Bar.

Six Senses Kyoto

Aberto em 2024, o Six Senses Kyoto fica em Higashiyama, o distrito dos templos, de frente para o jardim do santuário Toyokuni, do século XVI. São 81 quartos e suítes, com vista para o pátio interno, para a cidade ou para o santuário. O projeto se inspira no período Heian e no Conto de Genji, a primeira obra-prima da literatura japonesa, traduzindo em design a sensibilidade do miyabi — o refinamento elegante da corte imperial.

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