Poucos países exigem tanto do viajante quanto a China — e poucos devolvem tanto. São quatro mil anos de história contínua, uma extensão territorial comparável à de um continente e uma velocidade de transformação sem paralelo no mundo. A muralha que levou séculos para ser erguida e o trem-bala que cruza o país a 350 km/h coexistem na mesma viagem, muitas vezes no mesmo dia.
A geografia explica a diversidade. Pequim guarda o coração imperial, entre a Cidade Proibida, os palácios e os becos dos hutongs. Xangai responde com o Bund, os arranha-céus de Pudong e uma cena gastronômica com dezenas de restaurantes estrelados. Xi’an preserva o Exército de Terracota e o ponto de partida da Rota da Seda. E, fora das grandes cidades, o país se abre em paisagens improváveis: os pilares de arenito de Zhangjiajie, os lagos multicoloridos de Jiuzhaigou, os terraços de arroz de Longji e as montanhas cársticas de Yangshuo.
A mesa é capítulo à parte. Cada região tem sua própria cozinha — o pato de Pequim, o hotpot de Sichuan, o dim sum de Guangzhou —, e comer bem na China é, por si só, um roteiro.
Um destino para quem já viajou bastante e quer escala, contraste e profundidade histórica em uma única viagem.
Pequim concentra o essencial da história imperial. A Cidade Proibida, que abrigou 24 imperadores, se percorre em algumas horas de salões, pátios e muralhas vermelhas, e a Praça Tiananmen fica logo ao lado. O Palácio de Verão, com seus pavilhões e o lago Kunming, é a obra-prima do jardim chinês. Mas a vida real da cidade está nos hutongs, os becos residenciais de casas com pátio interno, onde as barracas de comida e as casas de chá revelam a Pequim cotidiana. Fora da cidade, a Grande Muralha se visita em Mutianyu, mais acessível, ou em Jinshanling, para quem quer caminhar pelos trechos selvagens.
Xi’an, antiga capital e ponto de partida da Rota da Seda, guarda o Exército de Terracota, com seus guerreiros e cavalos em tamanho real enterrados há mais de 2.200 anos. O Bairro Muçulmano, com a Grande Mesquita e as bancas de comida de rua, é a melhor experiência gastronômica da cidade.
Xangai é o contraponto contemporâneo: o Bund, com a arquitetura europeia de um lado e os arranha-céus de Pudong do outro, a Concessão Francesa, de ruas arborizadas e villas históricas, o distrito de arte West Bund e uma cena gastronômica com dezenas de restaurantes estrelados. Dali se alcança Hangzhou e o Lago Oeste, além das plantações de chá Long Jing, onde a cerimônia é feita na própria fazenda.
O interior reserva as paisagens mais espetaculares. Zhangjiajie, em Hunan, tem os pilares de arenito que inspiraram Avatar; Jiuzhaigou, em Sichuan, guarda lagos de águas multicoloridas; os terraços de arroz de Longji, em Guilin, foram esculpidos há séculos; e em Yangshuo as jangadas de bambu deslizam pelo rio Yulong entre montanhas cársticas. Em Yunnan, a Garganta do Salto do Tigre é um dos cânions mais profundos do mundo, e Dali e Shangri-La revelam a China tibetana e das minorias étnicas.
Há ainda a China que se come e se vive: o pato de Pequim, o hotpot de Sichuan em Chengdu e Chongqing, o dim sum de Guangzhou e os noodles regionais. Em Chengdu, o centro de pesquisa e criação de pandas-gigantes é visita obrigatória. E, para quem viaja no inverno, o Festival de Gelo e Neve de Harbin ergue uma cidade inteira de esculturas iluminadas.
O Beijing Yihe ocupa o endereço mais singular da capital chinesa: fica colado ao portão leste do Palácio de Verão, o complexo imperial de jardins e pavilhões que foi retiro de verão da corte Qing. Os 51 quartos e suítes se distribuem em construções baixas de tijolo cinza, organizadas em pátios ao estilo de uma residência tradicional chinesa. O grande trunfo histórico da casa é o acesso: os hóspedes podiam entrar no Palácio de Verão por um portão próprio ao lado do hotel, antes da abertura ao público — experimentando os jardins praticamente vazios, no início da manhã.



O Six Senses Qing Cheng Mountain é a porta de entrada para uma China que quase ninguém vende: a de Sichuan, do taoismo e dos pandas. O resort fica em Dujiangyan, aos pés do Monte Qingcheng, ao lado do sítio reconhecido pela UNESCO, a cerca de uma hora de Chengdu. A arquitetura reinterpreta o pátio tradicional chinês — villas e suítes organizadas em torno de jardins internos, em uma paleta de tons naturais, algumas com piscina privativa. A proposta de bem-estar é o diferencial: o Six Senses Spa trabalha os princípios de cura do taoismo e o alinhamento do qi, com programas de vários dias. Não por acaso: a Caverna Tianshi, ali perto, é considerada o berço do taoismo.



O Bulgari Shanghai é a tradução mais elegante do encontro entre Itália e China. O hotel integra o projeto de revitalização urbana do Suhe Creek e combina duas arquiteturas: uma torre contemporânea de 48 andares e o antigo edifício da Câmara de Comércio de Xangai, de 1916, restaurado e cercado por jardins.


